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terça-feira, maio 03, 2011

Disseminação de Conhecimento Gerencial em Saúde – Uma Atividade que Cresce com o Desenvolvimento

André Medici

Introdução

O processo de desenvolvimento é antes de tudo um processo sistemático de criação e/ou disseminação de idéias, orientado para o cumprimento de pelo menos três funções: a) analisar a realidade, identificar seus problemas e organizá-los de forma sistemática; b) criar novas idéias ou buscar experiências – locais, nacionais e internacionais – que tendo alguma similaridade com os problemas identificados – possam orientar soluções para os mesmos, e; c) discutir e disseminar estas idéias e experiências entre atores relevantes que, sem deixar de participar do debate ou mesmo modificá-lo, poderão ter a capacidade prática de implementar estas soluções.

Em países em desenvolvimento, este papel é normalmente assumido pelo Estado, por universidades públicas ou por instituições de ajuda internacional. No entanto, países que já passaram das fases embrionárias do processo de desenvolvimento, como o Brasil, poderão contar com as iniciativas que surgem do setor privado e da própria sociedade civil, dado que o desenvolvimento só ocorre efetivamente quando as soluções são geradas por todos e não somente pelo Estado. Parte do processo de geração e disseminação de idéias, nas etapas de desenvolvimento avançado, são assumidas por instituições que exercem este papel, a partir da organização de espaços para a discussão entre os atores relevantes.

O setor saúde no Brasil, desde a década de noventa, tem tido o privilégio de contar com a Feira Hospitalar, que se realiza anualmente, há quase duas décadas, na cidade de São Paulo, sendo atualmente a segunda maior feira mundial, somente estando atrás da feira de Hannover, na Alemanha. Inicialmente formulada somente para a realização de exposições de produtos e serviços em saúde, a Hospitalar, desde sua primeira edição, em 1994, criou um espaço especial para a organização de eventos e para a disseminação de conhecimentos e práticas nacionais e internacionais, destinados a gerentes, empresários, autoridades públicas, setores acadêmicos e outros que tenham interesse em ter uma participação ativa em discussões de ponta nas áreas de economia, gestão, direito e organização do setor privado, da saúde suplementar e do setor público de saúde no Brasil e na América Latina.

Este espaço é o Congresso Latino-Americano de Serviços de Saúde (ClasSaude), que em 2011 completa 16 anos de existência. Sendo patrocinado pela Federação de Hospitais de São Paulo (FEHOESP), pelo Sindicato dos Hospitais de São Paulo (SINDHOSP), pela Confederação Nacional de Saúde (CNS), pela Federação Nacional dos Estabelecimentos de Serviços de Saúde (Fenaess) e pela Feira Hospitalar, o ClasSaúde tem contribuido com temas de vanguarda na organização do setor saúde.

Ainda me lembro quando, nos idos de 1993, nosso saudoso Juljan Czapski me telefonou para marcar uma discussão na casa do casal Francisco e Waleska Santos para discutir as primeiras idéias relacionadas a formação do ClasSaúde. Desde o início, Juljan Czapski, com o apoio de Waleska Santos, ficou à frente da organização do ClasSaude, convidando sempre autoridades nacionais e internacionais para discutir as tendências da gestão do setor saúde no Brasil e no mundo e buscar os nexos entre estas tendências e a realidade brasileira.

Em 2008, Juljan assumiu a coordenação geral do Congresso e em 2009 propôs uma reestruturação geral do ClasSaude, dividindo o evento em três dos pilares que integram a estrutura do sistema de saúde: (i) a integração entre o setor público e privado de saúde, (ii) a saúde suplementar e (iii) a capacitação profissional. Ao longo dos últimos anos, a convite da Hospitalar, do Dr. Juljan, do SINDHOSP e da FEHOESP, tenho tido a honra de participar da organização do ClasSaúde, especialmente no módulo de Serviços Públicos e Privados de Saúde. Infelizmente o Dr. Juljan faleceu em janeiro de 2010, mas já tinha uma estrutura sólida e a coordenação do evento passou para Fábio Sinisgalli, ativo participante da comissão organizadora.

A relevância do Dr. Juljan Czapski na história da saúde do Brasil, tendo criado a primeira empresa de medicina de grupo nacional, vai muito além de sua participação no ClasSaúde. Por este motivo, a Hospitalar, conjuntamente com vários outros sócios, resolveram patrocinar a publicação de um livro, cujos autores são Silvia Czapski, filha do Dr. Juljan e André Medici. O livro, intitulado “O Cavaleiro da Saúde”, da Editora Novo Século, será lançado na feira hospitalar e estará disponível para os participantes do evento ClasSaúde, e posteriormente em livrarias de todo o país.

A Importância do ClasSaúde no âmbito da Feira Hospitalar

Ao longo de suas 15 edições, o ClasSaúde já reuniu mais de 5 mil participantes, entre presidentes, superintendentes, diretores e gerentes de estabelecimentos e empresas de saúde e autoridades de Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde atuando nas áreas de gestão de serviços, financiamento, comercial e de marketing e de recursos humanos, além de médicos e profissionais comprometidos com a tomada de decisões estratégicas e de liderança de hospitais, estabelecimentos e empresas de saúde.

Atualmente, o ClasSaude integra seis congressos que foram compondo distintos temas de interesse no mercado de saúde no Brasil. Em 1998, se integrou a Jornada de Gestão em Laboratórios Clínicos. Em 2002, se integra a área de Gestão em Clínicas de Serviços de Saúde. Em 2003 ingressa o tema de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) em saúde e em 2004, se integra a Jornada de Aspectos legais da Saúde. Em 2010 passou a incorporar também o tema de Gestão e Políticas em Saúde Mental. Desta forma o ClasSaúde vem crescendo em dimensão e qualidade através de novos conteúdos produzidos pelas suas Comissões Científicas.

Ao longo de suas edições, o ClasSaúde tem sido palco de fóruns e discussões sobre o desenvolvimento do setor frente a globalização e sustentabilidade do sistema público e privado sob as óticas da política e da nova economia mundial, reunindo expoentes nacionais e internacionais. Entre os objetivos do evento destacam-se:

 Fazer um balanço dos sistemas público e privado de saúde centrado nos aspectos de gestão

 Conhecer experiências bem sucedidas, ou “a saúde que dá certo” no continente latino-americano

 Debater com todos os atores do setor as alternativas para mudar cenários potenciais de crise setorial para cenários onde todos possam ganhar

 Discutir como e de que forma oferecer um atendimento de qualidade aos cidadãos

 Debater os custos crescentes da saúde, utilizando de forma racional dos avanços tecnológicos

 Profissionalizar a gestão dos estabelecimentos de saúde para a sustentabilidade do segmento

 Despertar nos gestores a capacidade de mudar e se adaptar à nova realidade, num mercado em constante mudança

 Promover mais possibilidades de parcerias público-privado

 Propiciar ferramentas para o desenvolvimento das empresas

 Desenvolver os estabelecimentos de saúde com foco no valor da prestação de serviços

 Encontrar meios para adequar a estrutura organizacional ao novo perfil do paciente (ePacient)

 Discutir como mudar o modelo assistencial para um mercado de saúde mais eficiente e competitivo.

Porque participar do ClasSaúde 2011?

Em 2011 se realiza a 16ª edição do Congresso Latino-Americano de Serviços de Saúde, que acontece de 25 a 27 de maio, em São Paulo. O Congresso tem como base a discussão que os mercados deverão travar com novas tendências nas áreas de formação de redes, verticalização, novo modelo de remuneração, incremento das parcerias público-privadas. Estes são alguns fatores que vêm contribuindo para a mudança de perfil da saúde brasileira, segundo o coordenador Geral do 16º do ClasSaúde 2011, Fábio Sinisgalli. “Hoje temos um cenário que contribui fortemente para o desenvolvimento do setor, pois há uma forte injeção de recursos internos e externos”.

Temas associados às diretrizes do governo e das agências reguladoras como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) vão impactar fortemente operadoras e prestadores de serviços. Com a mudança de governo, autoridades como o dirigente máximo da Secretaria de Assistência a Saúde (SAS) do Ministério da Saúde, Helvécio Miranda, estarão presentes para explicar as novas diretrizes do setor público e as perspectivas de relacionamento com o setor privado.

Se no SUS o aumento do número de parcerias público-privadas é um termômetro de mudanças que contribui para uma melhor assistência e gestão dos recursos, na saúde suplementar questiona-se se as mudanças que estão ocorrendo – e as que estão por vir – irão beneficiar o usuário e o mercado de maneira geral. “Os aspectos positivos e negativos da verticalização já foram discutidos, mas o tema não está esgotado. Além dele, o que está na pauta, hoje, é como a formação de grandes redes de prestadores irá impactar a saúde privada. Haverá diminuição da concorrência? Os poucos e grandes players definirão as regras? Como fica o usuário nesse processo? Terá garantida uma melhor assistência médica, hospitalar e acesso a novas tecnologias?”, questiona Sinisgalli em entrevista dada ao SINDHOSP, onde reproduzimos alguns trechos.

Os pequenos e médios empresários têm, sim, espaço nesse mercado, na opinião do coordenador do ClasSaúde. “É preciso estar atento às oportunidades que existem atualmente e no futuro. Pensar para fora, no setor como um todo, na organização, como ela pode ser inserida no processo. Para isso é necessário planejamento estratégico, governança corporativa e o auxílio de profissionais externos, pois na maioria das vezes não conseguimos enxergar nossos próprios problemas organizacionais”, assinala Fábio Sinisgalli.

Em relação ao tema das operadoras de planos de saúde, Fábio considera a necessidade de um amplo debate sobre o novo modelo de remuneração que está em discussão na ANS, para que se analise profundamente se ele é viável e condizente com a realidade brasileira. Questionado se, dado que o fee for service é consensualmente um modelo perverso, porque ainda não ocorreu uma mudança no modelo de remuneração de hospitais e prestadores, ele responde que “o prestador não pode ficar à mercê das operadoras na questão dos reajustes. Essa é uma premissa fundamental. Para trabalharmos com previsibilidade, dentro de regras e orçamentos, precisamos garantir revisões periódicas com reajustes”, explica o coordenador Geral do ClasSaúde 2011.

Fábio Sinisgalli acredita que essa mudança, porém, é só o início de um modelo que possa, futuramente, remunerar por performance, desempenho. “Só com esse tipo de remuneração conseguiremos ter um sistema que traga benefícios, que contribua para o desenvolvimento da saúde suplementar”. O engajamento do médico e o desenvolvimento de indicadores assistenciais são outros desafios para que o processo se consolide.

A relação entre setor público e privado no ClasSaúde 2011.

O 16º. ClasSaúde tem como tema central “Saúde e os Desafios Econômicos, Humanos e Ambientais” e está dividido em três módulos: Sistema de Saúde Público-Privado, Saúde Suplementar e Capacitação Profissional. O atual coordenador da comissão científica do primeiro módulo, Marcos Bosi Ferraz, destaca a relevância do tema central. “A questão do meio ambiente é muito séria. Quando o homem agride demais a natureza, em determinado momento ela dá o troco. A catástrofe que aconteceu na região serrana do Rio de Janeiro recentemente é um exemplo. Imagine o número de pessoas que ainda vivem em áreas de risco. Após os desmoronamentos, como isso está afetando a saúde emocional desses indivíduos? Isso certamente se refletirá na procura por serviços de saúde e também na produtividade de cada um deles”, lembra Bosi Ferraz, que também é professor e diretor do Centro Paulista de Economia da Saúde (CPES) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e diretor de Economia Médica da AMB (Associação Médica Brasileira).

Discutir o que o ambiente causa de doenças e como isso afeta o sistema de saúde é um dos desafios do 16º Congresso. “Como empresários e profissionais da saúde temos um imenso trabalho pela frente. Precisamos ser mais eficientes naquilo que fazemos poupando energia, evitando o uso desnecessário de papel, cuidando dos resíduos”, ressalta. Questionado se o setor saúde já atingiu essa maturidade, Marcos Bosi Ferraz acredita que esse comprometimento é heterogêneo. “A saúde ainda desconhece seus próprios desafios. As diferentes instituições que participam do sistema ainda têm a sobrevivência como principal compromisso”. A ausência de definições claras, de metas em médio e longo prazos, bem como a inexistência de uma política de Estado para a saúde (e não uma política de governo) são as responsáveis por essa miopia que predomina no setor. A Agenda Ambiental dos Hospitais é outro tópico que será abordado durante este módulo de Sistema de Saúde Público-Privado.

“Nosso marco regulador e regulatório ainda está focado em ações de curto prazo. As organizações de saúde não sabem aonde querem chegar, nem de que forma”, diz Marcos Ferraz. Eventos como o Congresso Latino-Americano de Serviços de Saúde são importantes não só para gerar essa discussão, mas também para sensibilizar os participantes do sistema para que reflitam sobre esses desafios. “Precisamos debater ações mais amplas e focar não só os aspectos econômicos, mas também os humanos e ambientais”.

O primeiro talk show do módulo abordará A Sustentabilidade da Saúde e a Interdependência dos Sistemas Público e Privado. Segundo Marcos Ferraz, a relação que existe entre ambos, hoje, interessa ao sistema público e ao setor suplementar de saúde. Ele cita como exemplos os benefícios que as campanhas de vacinação trazem para o setor privado de saúde e os procedimentos de alta complexidade que o SUS contrata de entidades privadas nacionalmente reconhecidas, com preços de tabela diferenciados. “Essa interdependência, que existe e particularmente acredito que deva continuar, tem que deixar de ser só conveniente e passar a ser claramente definida”, defende o coordenador da comissão científica do módulo.

Como Estabelecer Prioridades na Saúde Considerando as Necessidades e a Escassez de Recursos é tema de outro painel, o qual terei o prazer de coordenar. Nosso objetivo neste painel é discutir estratégias que, diante os escassos recursos existentes para a saúde, tentem avaliar as estratégias de priorização que tem sido utilizadas em experiências internacionais como a do National Institute for Clinical Excellence (NICE) na Inglaterra, bem como a experiência de utilizar a evidência clínica para priorizar ações de saúde, como a do Instituto Cochrane, tanto na Inglaterra, como em seu escritório associado em São Paulo. Para discutir estas experiências estarão a Dra. Kalipso Chakidou (NICE) e o Dr. Alvaro Atalah (Instituto Cochrane do Brasil)

Segundo Marcos Bosi Ferraz, “Discutir o limite que o país tem enquanto sociedade para pagar por um sistema de saúde está no centro da questão. Não podemos nos enganar. Nem os países ricos conseguem dar tudo para todos em saúde. Restrições terão que existir”, ressalta Marcos Ferraz, que ainda defende maior responsabilização do indivíduo pela sua saúde. O módulo trará experiências internacionais para ampliar o debate. Marcos Ferraz lembra, no entanto, que não existem dois países com o mesmo sistema de saúde. “Apesar disso há bons exemplos para analisarmos vantagens e desvantagens”.

Segurança assistencial e a entrega de valor para a sociedade é outro debate que o módulo propõe. Para Marcos Ferraz, o usuário exercerá cada vez mais um papel de vigilante no processo assistencial. “A educação é fundamental nesse processo. Por mais que a tecnologia evolua, precisaremos sempre de gente para operar as máquinas e orientar o atendimento. Por isso precisamos de profissionais atualizados e qualificados e esse é um dos problemas do nosso sistema que saúde. Hoje, a formação dos recursos humanos está muito aquém do necessário, tanto do ponto de vista da quantidade quanto da qualidade”, finaliza Ferraz, ressaltando a relevância do módulo de Capacitação Profissional do 16º Congresso Latino-Americano de Serviços de Saúde.

Como Participar?

Para quem se interessa nestes temas de vanguarda e quer ingressar ou continuar na liderança intelectual e empresarial no setor saúde, a participação é imprescindível. As informações sobre como se inscrever e o Programa detalhado do evento podem ser encontrados no site http://www.classaude.com.br./





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